João Wesley: Sua Vida e Obra, de Mateo Lelièvre #31

João Wesley, desde sempre foi uma personalidade da história da igreja que me chamou atenção, agora conhecendo melhor a sua história, meu interesse e admiração só aumentaram. Ele foi um verdadeiro herói da fé, um homem de personalidade autêntica e firme, característica que na leitura me marcou bastante e de fato, quando acabei de ler a sua biografia me senti grata por essa oportunidade. Não pretendo aqui, resumir a obra, até mesmo por que seria algo complicado, o meu objetivo é compartilhar com você os pontos que considero ser os mais relevantes e claro, instigá-lo a também fazer essa leitura – caso você consiga encontrar essa edição que está super esgotada.

O livro é dividido em 4 partes, que ajudam o leitor a tomar conhecimento do contexto da época, da situação moral e religiosa da Inglaterra do século XVIII, quando surgiu João Wesley e seus cooperadores. São respectivamente: “A preparação”, “O início da obra”, “O progresso da obra” e o “Entardecer de sua vida”.

Mas quem foi João Wesley?

João Wesley foi o fundador do Metodismo, o homem cujo o ministério provocou o reavivamento evangélico no século XVIII. Nasceu em 17 de junho de 1703 na casa pastoral de Epworth, Inglaterra. Seu pai Samuel Wesley era pastor Anglicano e sua mãe Susana Wesley uma mulher rígida e piedosa, para quem o crescimento espiritual dos filhos era ainda mais importante que seus progressos intelectuais.

A infância de Wesley foi marcada pelo zelo das instruções de sua mãe (saiba mais aqui e aqui), não ficando isenta de provações. Um episódio que eu não poderia deixar de citar é o incêndio na casa da família em 1709. O pequeno Joãozinho ficou preso no interior da casa e por providência divina foi socorrido através de uma janela de um dos pisos superiores por um homem que subiu nos ombros de outro homem para alcança-lo a tempo.

“Não é este um tição tirado do fogo.” (p.28)

Em 1720 Wesley iniciou seus estudos no Christ Church College, Universidade de Oxford, permanecendo ali até sua ordenação em 1725 pela Igreja Anglicana. Apesar de já ser um pregador, de ter uma vida religiosa desde a infância e zelo quase acético e ritualista, o jovem Wesley não era de fato convertido a Cristo. Ele mesmo descreve seu estado:

“Descobri o que eu menos suspeitava, que, apesar dos meus esforços para converter os outros, eu mesmo não estou salvo. Tenho aprendido que me acho ‘destituído da glória de Deus’, o meu coração está inteiramente ‘corrupto e cheio de abominação’ e a minha vida inteira está nas mesmas condições, pois ‘a árvore má não pode dar bons frutos’. Tenho aprendido que estando ‘alienado da vida de Deus’, sou ‘filho da ira’ e herdeiro do inferno; minhas obras, meus sofrimentos, minha justiça, longe de me reconciliar com um Deus irado, longe de servir para expiar o mais insignificante dos meus pecados (mais numerosos do que os cabelos da minha cabeça), não podem aguentar o olhar perscrutador da justiça divina sem antes serem purificados. Tenho aprendido que, levando escrita no meu coração a sentença da morte, e não tendo alguma desculpa para alegar, não me sobra outra esperança senão a de ser justificado gratuitamente pela redenção que há em Jesus; nenhuma esperança existe, se eu não a buscar e achar em Cristo, e for achado nele, não tendo minha própria justiça, que é segundo a lei, mas a que é pela fé em meu Salvador, a justiça que vem de Deus pela fé.”

Entretanto, em 1738 depois de alguns fatos – a influência dos morávios, sua viagem missionária à América do Norte – o doce Espírito Santo levou mais um pecador ao arrependimento:

“À noite, fui, contra a minha vontade, a uma pequena reunião na rua Aldersgate, onde ouvi a leitura do Prólogo de Lutero à Epístola de Paulo aos Romanos. Cerca das quinze para as nove, enquanto escutava a descrição feita da transformação que Deus opera no coração mediante a fé em Cristo, senti arder o meu ser de modo estranho. Senti que confiava em Jesus, e nele somente, para minha salvação; recebi a certeza de que o Senhor tinha apagado os meus pecados e Ele me havia salvado da lei do pecado e da morte.” (p.66)

A partir da sua verdadeira conversão, João Wesley com todo entusiasmo, seguiu a fazer a obra que Deus colocara em suas mãos: pregar o Evangelho. E isso o levou ao extremo das pregações públicas, tão incomuns na época, o que o tornou alvo de uma agressiva perseguição principalmente do clero Anglicano. Pedradas (literais), calúnias, decepções, fome, perigos, longas viagens… esse homem sabia o que era sofrer e perseverar.

Nessa biografia encontrei um João Wesley amável, generoso e trabalhador. Uma inspiração! Era firme e tranquilo de espírito, disciplinado – por mais de 60 anos acordou as 4 horas da manhã; por mais de 50 anos, pregou todas as manhãs rigorosamente às 5 horas; esforçou-se em viagens difíceis, a maioria a cavalo, percorrendo cerca de 6750 quilômetros por ano. Seu ministério durou mais de 50 anos, tendo influência direta e indireta sobre milhares de pessoas. Escreveu vários livros que lhe renderam uma quantia expressiva, mas ele resolveu nada ter, distribuía toda a sua renda aos pobres. Esse soldado de Cristo morreu em 1791, com 87 anos de vida. Uma das suas últimas frases foi: “O melhor de tudo é que Deus está conosco.” (p. 338). 

Essa foi sem dúvida uma das melhores leituras do ano, repito: a vida de João Wesley é inspiradora. Eram extraordinária a disciplina de vida deste homem, sua simplicidade e amabilidade. Achei muito interessante também, como ele e seu amigo George Whitefield – também um grande pregador do século XVIII – que era calvinista lidaram com as suas diferenças teológicas, pois permaneceram grandes amigos até o fim apesar das mesmas. Considero uma leitura imperdível para quem se interessa pela história da igreja e dos heróis da fé. A linguagem é um pouco difícil, mas que recompensa o esforço.

[Editado em 17/12/2021]


+INFO Livro: João Wesley, Sua Vida e Obra | Autor: Mateo Lelièvre | Tradutor: Gordon Chown | Editora Vida, 1997 | 373 páginas

Avaliação: 5/5

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