Mentiram e muito para mim de Flavio quintela #92

“O exame dos fatos antes de se criar uma opinião a respeito de um assunto não só é um requisito para ser honesto com os outros, numa eventual discussão sobre esse assunto, como para ser honesto consigo mesmo, não permitindo que qualquer bobagem ou mentira ocupe o lugar reservado às ideias mais nobres, mais altas e mais importantes.”

Esse é um livro que procrastinei por anos a leitura. Quando resolvi finalmente ler, em março desse ano, achava até que o mesmo já não seria tão relevante quanto foi à época do lançamento em 2014. Mas estava enganada.

Por mais que a proposta do livro – ser uma introdução à situação geral do país, isso em 2014 – seja datada. O leitor de 2021 talvez aproveite até mais amplamente o seu conteúdo, entendendo melhor como e porque chegamos no cenário político em que estamos. Falo não só, mas é claro, da explosão Bolsonaro e do movimento dito de “direita brasileira”.

Em cada capítulo o autor aponta no título uma mentira de amplitude nacional e depois coloca seus argumentos na intenção de desmascará-la. Um formato não só de fácil leitura, mas que prende qualquer leitor minimamente interessado nos assuntos até o final. Entre todos eles destaco:

O capítulo 2 “A mentira mais voraz: a de que a própria verdade não existe”. Onde o autor chama a atenção do leitor para: 1 – o triste fato de que a mente do povo brasileiro já está tão destreinada que a verdade e a mentira já não são facilmente identificáveis. Nas palavras dele: “Sem saber no que acreditar, a pessoa passa a rejeitar algumas verdades básicas e aceitar algumas mentiras absurdas.” 2 – o perigo do relativismo, que por mais que se ouça falar, as pessoas parecem não tomar consciência da gravidade. Sobre isso ele afirma: “Se não existem verdades, então não existem códigos mútuos pelos quais possamos apreender a realidade, e cada um terá de se contentar em viver em um mundo somente seu, numa espécie de autismo existencial.”

E o capítulo 4 “Mentindo sobre ideologia: não existe mais direita ou esquerda”. Quando o autor explica de forma simples o significado de termos hoje importantíssimos para a compreensão da política do dia a dia, como: o que é um revolucionário; o que é um conservador; na teoria o que é esquerda e direita etc. Sendo portanto, bem didático, um material acessível para todos interessados.

Como mencionei, em minha opinião Mentiram e muito para mim é um livro datado, mas que continua ainda, sete anos depois de sua publicação, relevante para o brasileiro.

A situação do nosso país hoje em vários aspectos é caótica e, como cristã intimamente não creio e não espero nenhuma “salvação” que seja humana. Contudo, como disse Flavio Quintela no último capítulo desse livro, chamado “Verdades”, cada um de nós pode fazer diferença em seu entorno e acredito que essa diferença começa quando amamos, buscamos e não negociamos a verdade.

Termino com mais um trecho do livro: “O Brasil precisa de ótimos alunos, de gênios e de, principalmente, gente que abandone a mediocridade e busque as partes altas da alma, um intelecto superior, um desejo de transcender o comum. Essa busca é a busca pela verdade…”

Sobre o autor: Flavio Quintela nasceu em 22 de agosto de 1975, casado, é formado em Engenharia Elétrica pela UNICAMP. Trabalha hoje como jornalista, escritor e tradutor de obras ligadas ao campo da política e da filosofia. É autor também, juntamente com ativista e especialista brasileiro em segurança pública Bene Barbosa, do livro Mentiram para mim sobre o desarmamento (2015).


+INFO Livro: Mentiram e muito para mim | Autor: Flavio Quintela (1975 – ) Brasil | Publicado pela primeira vez em: 2014 | Vide Editorial, 2014 | 168 páginas

Classificação: 4/5

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